15 de julho de 2009

O Kiteboard ou Kitesurf e a Federação Portuguesa de Vela

Dentro de muito pouco tempo (semanas?, meses?) vai colocar-se a questão de ter que estabelecer-se qual a entidade desportiva nacional a quem competirá a tutela ou coordenação do kiteboarding, mais concretamente a tutela e coordenação do quadro competitivo nacional desta modalidade.
Ora, o kiteboard (ou kitesurf) não é mais do que uma das especificidades da VELA. Velejar com kites (ou papagaios, falando português) nem sequer é uma actividade de nascimento muito recente, dado que acontece desde o início do século XX.
Parece que em Portugal há quem tenha dúvidas de que se trata de VELA. Recordemos alguns factos:
- A travessia do Atlântico Norte realizada por Anne Quéméré em 2006;
- Os navios mercantes que actualmente fazem travessias regulares utilizando Kites;
- O Kiteboarding (enquanto modalidade de competição) está integrado na International Sailing Federation (ISAF) que é a Federação Internacional em que está filiada a Federação Portuguesa de Vela;
- A Federação Portuguesa de Vela (UPD) é a entidade reconhecida pelo Estado como autoridade nacional para a VELA desportiva e, de acordo com a legislação em vigor, não pode haver, reconhecida pelo Estado, mais do que uma federação nacional desportiva com esta competência.
Assim sendo, parece-me que não deverá haver dúvida em integrar o Kiteboarding na Federação Portuguesa de Vela, no respeitante à sua prática desportiva formal em território português

9 de julho de 2009

XV Jogos Náuticos Atlânticos mudam de local

Em 2009, de 1 a 6 de Agosto, Portugal vai ser o país anfitrião dos XV Jogos Náuticos Atlânticos tal como tem estado previsto, ou melhor, não vai ser exactamente como estava previsto.
Efectivamente esteve previsto que o evento se realizaria na área metropolitana do Porto, com o envolvimento das Câmaras Municipais do Porto, Gaia e Matosinhos, como foi dito aqui num “post” em 22 de Abril de 2009.
Afinal vai ser em Viana do Castelo.
Porquê??
Caberá a cada um de nós especular sobre os motivos. Trata-se, no entanto, de uma situação tipicamente portuguesa.
Adiante…e confiantes na capacidade de improvisação e desenrascanço dos lusitanos.
Neste caso quem, em primeira mão, tem o problema de ter que se desenrascar é a Intercéltica . Assim possa contar com o empenho da Câmara Municipal de Viana do Castelo e das federações desportivas nacionais das modalidades envolvidas (remo, vela, canoagem, surf, actividades subaquáticas, surf…) e o êxito do evento estará assegurado.

8 de julho de 2009

Fauna submarina atlântica




“Fauna submarina atlântica”, da autoria de Luís Saldanha, é uma obra de referência não só para quem se dedica a actividades subaquáticas, mas também para todos aqueles que se interessam pelos assuntos do mar, neste caso, o mar português.
Com este “manual” concebido de maneira a ser consultado e entendido facilmente não necessitamos de ser licenciados em biologia marinha, para identificarmos facilmente toda a fauna das águas marítimas portuguesas, através de excelentes desenhos. Encontramos também o nome comum e o nome científico de cada “bicho”, bem como a descrição das respectivas características.

1 de julho de 2009

Kitesurf ou Kiteboard em Portugal

Num texto que publiquei aqui no dia 14 de Maio de 2009, intitulado “Confraria das Federações Náuticas” referi-me a dez federações desportivas nacionais respeitantes a modalidades náuticas. Não fiz referência a nenhuma Federação Portuguesa de Kitesurf ou Federação Nacional de Kitesurf (ou de Kiteboard). Tal facto deve-se à não existência de uma federação nacional que abranja esta modalidade, reconhecida pela tutela como tal, com o Estatuto de Utilidade Pública Desportiva. (As dez federações que referi têm o estatuto de Utilidade Pública Desportiva).
Não quer isto dizer que não existam praticantes de kitesurf no país. Eles existem e são vistos nas praias de todas as costas nacionais. E ninguém terá dúvidas de que se trata de um desporto náutico. Por outro lado já existe alguma controvérsia quanto a definir-se onde é que “encaixa” esta modalidade sob o ponto de vista da orgânica desportiva nacional. Inclusivamente já houve quem sustentasse que se trata de uma modalidade do âmbito da Federação Portuguesa de Voo Livre.
Ora o “Kite” ou “papagaio”, se quisermos falar português, é utilizado desde longa data como meio de propulsão de uma embarcação utilizando a energia do vento. Desde Kayaks e pranchas que fizeram travessias oceânicas, até navios mercantes que actualmente o utilizam na sua actividade normal de transportes intercontinentais.
Estamos, portanto, a falar de VELA. Deste modo, nem que seja pela simples ordem lógica das coisas, se um destes dias se tratar de o Kitesurf ter enquadramento federativo nacional, pela natureza da actividade e pelo meio em que se realiza, esse enquadramento deveria ser na Federação Portuguesa de Vela. Vêm à memória análogas dúvidas em relação ao “windsurf” ou “prancha à vela”, no início da década de setenta do século passado. A prancha à vela ficou enquadrada pela Federação Portuguesa de Vela e, a partir daí, não houve qualquer controvérsia.

30 de junho de 2009

O legislador omnisciente

Não raras vezes o legislador produz leis completamente convicto de que é o detentor da mais correcta visão da realidade e do conhecimento das necessidades e interesses daqueles para quem está a legislar. Não raras vezes o legislador convence-se de que é um ser omnisciente, desprezando completamente a hipótese de legislar ouvindo as sugestões daqueles que lhe pagam o ordenado, isto é, dos cidadãos eleitores e contribuintes.
E assim surge legislação incongruente e pouco eficaz.
Naturalmente que este fenómeno acontece pelo mundo em geral e, portanto, também acontece em Portugal. Por outro lado, sendo geral, acontece nas mais diversas áreas e, consequentemente, também na área da vastíssima quantidade de diplomas que abrangem as actividades relacionadas com o mar.
Veremos alguns exemplos, aqui no PORTUGALPROMAR.

25 de junho de 2009

Vamos velejar !




"Vamos velejar" é um manual de iniciação para a vela editado em Setembro de 2006 pela Setemares. Trata-se de um livro muito interessante, da autoria de Claudia Myatt. Muito bem ilustrado e bem traduzido para português, encontra-se integrado no Plano Nacional de Leitura (Ler +). Embora o tipo de ilustração seja dirigido para os leitores mais jovens, trata-se de um bom manual de iniciação para jovens de qualquer idade. Pode ser adquirido, sem sair de casa, na livraria online da Federação Portuguesa de Vela.

24 de junho de 2009

Portugal e a pirataria

Já lá vai o tempo (foi no tempo de Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque e outros…) em que os portugueses espalhavam o terror no estreito de Ormuz, e no Índico em geral, utilizando a artilharia instalada a bordo das suas naus.
Agora encontram-se naqueles mares umas pequenas embarcações ligeiras tripuladas por piratas indígenas, cujo alvo são os navios mercantes de diversas nacionalidades que por ali passam. Recentemente uma destas pequenas embarcações, quando se preparava para tomar um navio mercante, foi neutralizada nos seus intentos pela fragata Corte Real, da marinha de guerra portuguesa. Segundo as notícias divulgadas, os piratas foram de seguida deixados em paz, porque a legislação portuguesa não prevê o crime de pirataria.
Muito interessante este detalhe da legislação portuguesa respeitante ao mar. Muito interessante sobretudo quando apreciamos os inúmeros diplomas legais que existem em Portugal sobre actividades no mar, inúmeros e muitos deles desfasados da realidade e das necessidades. Num certo sentido, todos eles a constituírem-se como obstáculos no acesso ao mar.
Conclui-se assim que o legislador português, ao não legislar sobre pirataria no mar, está a incentivar esta actividade marítima, enquanto dificulta outras.
Será por sermos um país de marinheiros ?

20 de junho de 2009

Construção de um sextante

Em “posts” que publiquei aqui em 5 de Maio e 4 de Maio passados referi-me à questão do sextante nos cursos de patrão de alto mar. Continuo convicto de que se trata de um mero obstáculo se nos colocarmos na perspectiva de portugueses que queremos ir para o Oceano.
Para além da impertinência que é a questão do sextante nos cursos de alto mar, tal como persiste na legislação actual, acontece que o sextante é um objecto de aquisição muito dispendiosa. Custo elevado a acrescer aos preços elevadíssimos que as escolas de navegadores de recreio cobram pela frequência obrigatória do referido curso de patrão de alto mar.
Mesmo um sextante de plástico dos mais simples disponíveis no circuito comercial tem um custo muito elevado.
Para um navegador de recreio que pretenda fazer-se ao Oceano e que, obrigatoriamente, tem que passar pelo “filtro” absurdo do curso de patrão de alto mar tal como se encontra legislado, existe, apesar de tudo, a possibilidade de construir um sextante barato em casa, para “estudar” e “praticar” o que o curso preconiza. Basta uma caixa de CD e um CD e umas peças de Lego e o sextante constrói-se. E servirá para o que se pretende no curso. E depois de aprovado no curso, na posse da carta, o navegador lusitano poderá ir fazer a sua volta ao mundo, legalmente, sem qualquer sextante a bordo . (Levando a bordo, preferencialmente, um ou vários GPS)
Os planos para construir o sextante encontram-se aqui.

17 de junho de 2009

Dicionário de marinharia

Existem vários dicionários portugueses de marinharia. Não muitos. Aliás, poucos. O "Vocabulário Marujo", da autoria de Maurício da Costa Campos, lente do 4º ano da Marinha da Nova Academia de Goa, editado no Rio de Janeiro em 1823, é um deles. Correcto, bastante completo, permanece actualizado sendo que a ortografia da época é fácil de entender e de “actualizar” automaticamente durante a leitura. Tem a vantagem importante de ser gratuito. Basta descarregá-lo do sítio onde se encontra na internet.

16 de junho de 2009

Núcleo de náutica de recreio do Seixal








A Câmara Municipal do Seixal tem em curso o projecto de realização de um “Núcleo de náutica de recreio” que, essencialmente, consiste na realização de algumas melhorias no velho cais fluvial e no velho cais da pedra. No respeitante à recuperação e refuncionalização do cais da pedra é de desejar que a mesma não passe pela continuidade da existência da rampa de alagem ali instalada actualmente e que, como se pode ver nas fotos anexas, é essencialmente inútil. Desejável seria também, se porventura o objectivo for facilitar o acesso dos nautas de recreio ao plano de água da baía do Seixal, que seja construída ou instalada uma rampa que efectivamente permita alar embarcações ligeiras com alguma facilidade. De facto, em toda a baía do Seixal, não há uma rampa ou zona de areal com acesso livre ao público que permita, com um mínimo de eficácia, alar ou lançar embarcações, transportadas em atrelados ou em cima de viaturas automóveis.