18 de julho de 2012

Aprender a velejar - Guia de iniciação

"Aprender a velejar - Guia de iniciação" da autoria de Steve Sleight é um pequeno livrinho (53 páginas) editado pela Sete Mares (o meu é de uma edição de 2009) que poderia muito bem ser o guia recomendado pelas escolas de vela portuguesas a todos os candidatos à iniciação na arte de velejar. Aliás o livro é recomendado pela Federação Portuguesa de Vela, conforme se lê na capa.
Curiosamente, no entanto, na livraria "on line" que aquela Federação tem (ver no seu "site" www.fpvela.pt, no botão "publicações" e depois em "livraria") , o livro não aparece ali na lista de obras à venda. Facto muito curioso, deveras, quando ali se encontram outras obras publicadas pela mesma Editora que não têm, como esta tem, a nota de "recomendado pela Federação Portuguesa de Vela".
Enfim, mais um pequeníssimo episódio na saga desta Federação. Tenho uma teoria explicativa para este pequeno episódio, que é a seguinte: os principais responsáveis nos actuais órgãos sociais estarão mais motivados para questões relacionadas com construção civil e outros géneros de negócios correlacionados do que propriamente com a causa do desenvolvimento da vela em Portugal.

17 de julho de 2012

A memória dos bacalhoeiros - Uma contribuição para a sua história

" A Memória dos Bacalhoeiros - Uma contribuição para a sua História ", publicado pela Editorial Presença (neste caso edição de 1999), é uma obra da autoria de António Marques da Silva. Não é um romance, como se torna evidente pelo título do livro, mas sim um relato feito por alguém que sabe do que fala, porque viveu as situações, dado que António Marques da Silva foi comandante do Gazela Primeiro desde 1958 até 1964. Leitura muito interessante para quem estiver interessado em ter uma noção do que era a pesca do bacalhau feita pelos portugueses nos bancos da Terra Nova. O livro está ilustrado com muitas fotos da época. Se lermos também a obra de Alan Villiers (que apresentei aqui num post em 24 de Maio de 2009) relatando uma campanha no Argus, ficamos já com uma noção muito completa do que era a Faina Maior.

13 de julho de 2012

História da Vela em Cascais

"História da Vela em Cascais, da primeira regata à internacionalização" da autoria de João Miguel Henriques, Olga Bettencourt e Teresa Ramirez, foi publicado em 2007, um pouco antes da realização dos Mundiais de Vela de Classes Olímpicas que occorreram naquele ano em Cascais.
Publicação das Edições INAPA, que contou com o apoio da Câmara Municipal de Cascais.
Trata-se de uma obra muito interessante para quem procurar saber sobre a génese da prática dos desportos náuticos em Portugal. De facto, neste livro não se trata apenas da história da vela em Cascais, mas da história de vários desportos náuticos em Portugal e, especialmente, na zona de Lisboa e de Cascais que foi onde a sua prática realmente se iniciou no nosso país. Um aspecto, entre muitos outros, que se torna evidente ao lermos este livro é o facto de o Clube Naval de Lisboa (na época o Real Club Naval de Lisboa) ter sido um dos "progenitores" do Clube Naval de Cascais, se não o principal. Na actualidade, curiosamente, o Clube Naval de Cascais é o maior clube de vela português, enquanto o Clube Naval de Lisboa, com um escassíssimo número de praticantes e em instalações degradadas, luta pela sua não extinção. São as voltas que a História dá...

11 de julho de 2012

Fernão de Magalhães, a primeira viagem à volta do mundo...

"Fernão de Magalhães, a primeira viagem à volta do mundo contada pelos que nela participaram", editado pelas "Publicações Europa-América" é afinal um conjunto de seis relatos da viagem feitos por participantes nela, entre eles o "jornalista" oficial de serviço António de Pigafetta. Na minha opinião, quem estiver interessado em compreender a viagem de Fernão de Magalhães, deverá ler primeiramente a obra que apresentei aqui no meu "post" de 19 de Junho de 2012. Lendo só os relatos históricos constantes nesta obra da Europa-América ficamos com uma visão demasiado restrita da coisa.
E, já agora, uma curiosidade a reter:
O primeiro homem a fazer uma viagem de circum-navegação, que se saiba, não foi evidentemente Fernão de Magalhães, que foi morto antes de a concluir. Foi Henrique, um escravo de Fernão de Magalhães...

19 de junho de 2012

Fernão de Magalhães, para além do fim do mundo



"Fernão de Magalhães, para além do fim do mundo", de Laurence Bergreen é uma leitura muito interessante para qualquer português e não só. Dá-nos uma visão sobre a época, a vida e o empreendimento de Fernão de Magalhães, muito mais abrangente do que as que se obtêm nos trabalhos de outros autores portugueses. Sobretudo muito mais abrangente do que a que constava nos meus livros de História do meu tempo de liceu. Seguramente que contribui para isso o facto de o autor ser americano. Não se trata, todavia, de uma "americanice", mas sim de um trabalho muito sério de um autor não espartilhado pelas condicionantes com que estiveram espartilhados muitos historiadores portugueses ao longo do século vinte, sobretudo os autores de livros escolares ou de outras obras de divulgação, ou de programas em televisão. Obra publicada pela Bertrand Editora.

18 de junho de 2012

O Kiteboard ou Kitesurf modalidade olímpica no Rio 2016

Ora aí está! A federação internacional de vela (ISAF) na sua reunião a meio do ano de 2012 deliberou sobre quais as especialidades da vela a integrar no programa dos Jogos Olímpicos Rio 2016. O Kiteboard (também designado por Kitesurf) é uma delas! Escusado será dizer que, se esta especialidade da vela vai estar nos Jogos Rio 2016 dentro da modalidade vela, em Portugal a entidade reguladora desta modalidade olímpica será a Federação Portuguesa de Vela, como não podia deixar de ser. Pena é que a actual Direcção da Federação Portuguesa de Vela não manifeste nenhum interesse prático pelo enquadramento desta especialidade da vela. Para que isso acontesse seria necessário que a Direcção e o Presidente da Federação Portuguesa de Vela tivessem uma visão aberta e moderna do desporto da vela e do desporto em geral, bem como do papel de uma Federação Desportiva Nacional UPD no desenvolvimento do desporto em Portugal. Infelizmente parece-me que não é o caso e que existe outro tipo de objectivos para os actuais dirigentes daquela federação. Dá-se também o caso de, no seio da Direcção da Federação de Vela não haver ninguém com o mínimo de conhecimento na área do Kiteboard. Seria necessário criar-se na Federação uma Comissão ou um Gabinete vocacionado para o Kiteboard, com as inerentes competências na área da arbitragem e na área da formação de treinadores. Estou muito curioso para ver o que vai acontecer! Para quem tenha dúvidas de que o Kiteboard é vela, sugiro que vejam o meu "post" de 15 de Julho de 2009 aqui no Portugalpromar.

30 de março de 2012

A Madeira, a floricultura e os desportos náuticos


No passado fim de semana passei pela Marina da Quinta do Lorde, na Madeira, e tive oportunidade de observar uma actividade que desconhecia. Consiste na cultura de Buganvílias utilizando embarcações à vela como estruturas para aquelas belíssimas trepadeiras se desenvolverem.
Neste caso trata-se de um conjunto de peculiar beleza paisagística, a que as fotos que tirei não fazem a devida justiça, constituído por um arranjo em linha, formado por seis veleiros da classe J22 importados, creio eu, da República da África do Sul. O vermelho vivo das flores constrasta magnificamente com a alvura dos veleiros, com os seus seis mastros rigorosamente alinhados, tudo realçado pela beleza da falésia próxima e pela quietude da paisagem marinha envolvente.
Um amigo que me acompanhava, perito agrónomo, explicou-me que para se conseguir aquele belo efeito, seguramente que os veleiros já se encontrariam ali colocados junto às plantas há, pelo menos, dois anos.
O projecto promete ainda muito mais, esperando-se que as plantas cubram completamente os barcos e, sobretudo, se expandam pelas mastreações interligando os veleiros, formando como que uma falésia de Buganvílias paralela à falésia propriamente dita.
Louvável iniciativa esta!
Todavia penso que não se trata de um projecto da iniciativa do empreendimento da Quinta do Lorde, embora tudo indique que tenha o patrocínio desta empresa. Trata-se seguramente de um projecto de Estado uma vez que, tanto quanto sei, aquelas embarcações, que se encontram praticamente como novas, foram adquiridas pelo Governo Regional. Dinheiro muito bem empregue!
Por associação de ideias ocorrem-me algumas frases para meditação:
- Primeira: "Portugal é um país de marinheiros";
- Segunda: "Dá Deus nozes a quem não tem dentes";
- Terceira: "Como alimentar porcos a pérolas";
- Quarta: "A cultura de Buganvílias e a crise económica e financeira nacional".
Conheço no país muita gente e muitos clubes náuticos que bem gostariam de ter um daqueles J22. Mas de facto não os mereceriam porque, seguramente, nunca iriam com eles fazer assim uma coisa tão bonita de se ver.

6 de março de 2012

Náutica de Recreio em Portugal



"Náutica de Recreio em Portugal - Um pilar do desenvolvimento local e da economia do mar - Propostas de actuação e planos de acção" editado com o apoio da EPUL é, afinal, o relatório do Grupo de Trabalho da Náutica de Recreio do Forum Permante para os Assuntos do Mar.

Trata-se de uma das mais recentes "aquisições" para a minha biblioteca, ou não fosse eu também um membro do Forum Permanente para os Assuntos do Mar.

É um trabalho sério, recentemente publicado, que compila um conjunto de dados sobre a náutica de recreio em Portugal, e não só.

Todavia a parte mais interessante é o conjunto de propostas de actuação e de planos de acção, com os respectivos objectivos operacionais devidamente explicitados que constituem matéria que deveria ser de leitura obrigatória para membros do governo, deputados da Assembleia da República, autarcas, capitães dos portos, professores, industriais e comerciantes da náutica de recreio, dirigentes desportivos de federações de desportos náuticos e respectivos treinadores, aos quais deveria ser perguntado, dentro de algum tempo, o que é que cada um fez concretamente no âmbito da realização das ditas propostas de acção.

É o que se me oferece propor ao Grupo de Trabalho da Náutica de Recreio: que não pare por aqui e que dentro de um ano ou dois proceda à apresentação de um Relatório sobre a concretização das acções agora propostas.



29 de janeiro de 2012

Promoção da Náutica em Portugal

Recebi a informação de que nos próximos dias 8 a 12 de Fevereiro, por ocasião da Nauticampo, em Lisboa, numa organização conjunta do Gabinete do Secretário de Estado do Mar, AIP/FIL, Turismo de Portugal, Fórum Empresarial da Economia do Mar e Oceano XXI, vai realizar-se uma série de conferências e seminários de promoção da Náutica em Portugal.

A entrada é livre, mas é necessário fazer-se pré-inscrição até ao próximo dia 3 de Fevereiro no site http://www.fem.pt/Nauticampo2012, uma vez que o número de lugares é limitado.

Acho o programa muito curioso. Diversos dos palestrantes também me despertam a curiosidade, por motivos de ordem vária...

Seria importante que aqueles que verdadeiramente praticam e se interessam pela náutica de recreio em Portugal se inscrevessem e participassem contribuindo assim para que não se trate apenas de mais umas palestras e seminários sobre construção civil em Portugal.

23 de janeiro de 2012

Laura Dekker concluiu a sua volta ao mundo

Laura Dekker concluiu a sua volta ao mundo em solitário, ainda antes de completar 17 anos de idade. Podemos ver notícias sobre o facto em vários sítios. Entre eles aqui. Em várias notícias é identificada como Neo Zelandeza. De facto é Neo Zelandeza porque nasceu para aqueles lados, quando os pais andavam a fazer uma volta ao mundo à vela. Mas é também Holandesa e foi nessa qualidade que mais se ouviu falar dela, a propósito da polémica que as autoridades holandesas levantaram, objectando à sua largada. Largada esta que, conforme estamos recordados, foi mais aqui para os lados da costa sul de Portugal mas que, afinal, acabou por não ser formalmente em Portugal dado que as autoridades portuguesas, deste país que se diz de marinheiros, pretendiam também colocar obstáculos à sua largada. Bem haja Laura Dekker pelo seu feito!
Todavia sou mais fá da australiana Jessica Watson, que acabou em 2010 a sua volta ao mundo em solitário, também antes de completar 17 anos de idade, só que Jessica fez uma circum navegação non stop, o que é um feito bem diferente do "passeio" com escalas de Laura Dekker. Laura explica que está um bocado aborrecida com as autoridades holandesas e que, por isso, se calhar vai para a Nova Zelândia, optando pela cidadania Neo Zelandeza. Se fosse eu, fazia o mesmo. Acho a Nova Zelândia muito mais bonita do que a Holanda e, sobretudo, é um país de marinheiros e de velejadores!
E se fosse em Portugal?? Em Portugal, como sabemos, legalmente só se pode navegar legalmente como patrão de uma embarcação em navegação oceânica com a idade mínima de , imagine-se..., 20 anos!!
Será por Portugal ser um país de marinheiros???
Para não falarmos noutra questão que é a de Laura Dekker, seguramente, não ter utilizado o sextante na sua circum-navegação, sendo que a matéria do curso de patrão de alto mar em Portugal que é feito essencialmente sentado à mesa, numa sala, praticamente, é só navegação astronómica com o sextante!!
Por outro lado, na prática, para se obter uma carta de patrão de alto mar em Portugal e poder-se, legalmente, ir fazer uma volta ao mundo à vela, não é necessário saber-se velejar...
Com efeito, há muitos portadores de carta de patrão de alto mar, que obtiveram as suas cartas licitamente e com excelentes notas no exame, que não sabem velejar.
Acho isto tudo uma delícia...